sábado, 19 de março de 2011


“LÍDER” OU “PASTOR”, PROFISSIONAL DOS NEGOCIOS OU PASTOR DO SÉCULO XXI?

Adalberto Alves de Souza: Evangelista, Teólogo Pela Universidade Metodista do Estado de São Paulo – SP - Filosofo Licenciado Pelo Centro Universitário Claretiano – Porto Velho – RO. Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior Pela FAP – Faculdade de Pimenta Bueno – RO.

Texto Bíblico: “Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa”. (Jo. 10: 11 – 12).

Atualmente vivemos dias confusos em que o profissionalismo vem tomando o lugar da vocação pastoral. Os líderes estão mais preocupados com crescimentos e números instrumentos em tecnologia, construções de megatemplos e menos na glória de Deus em Cristo Jesus. No entanto, por tudo que presenciamos nos dias atuais, as ovelhas precisam cada vez é de Jesus. Clamam por pastores que tenham tempo disponível, vocação e compaixão para ouvir o clamor de suas vidas cansadas, aflitas em busca de orientação, cuidados, transformação e maturidade. Logo, a igreja precisa de pastores aprovados por Deus na condução do rebanho que lhe foi confiado.

Entretanto, as mudanças que vêm acontecendo, se desdobrando e, por vezes, não percebidas por muitos, tem afetado assustadoramente, de certa forma, não só os pastores, assim como, também, a Igreja. Ressalte-se que o Ministério Pastoral deve ser equipado e fortalecido com fundamentos bíblicos, teológicos e experiências de vida com Deus. Necessário se faz expressar que de um lado, o sentido empregado nos termos “pastoral” e ”Sacerdote” são corretos teológica e biblicamente, tanto no Antigo Testamento (AT) como no Novo Testamento (NT). O Novo Testamento dirá que as atribuições do Pastor é orar, ocupar-se com a Escritura e capacitar filhos de Deus para que estes sirvam ao Senhor e cresçam em maturidade e vivência mútua (At 6:4; Ef 4:11-16).

Por outro lado, a denominação líder tem sua definição mais acentuada no mercado do mundo globalizado e pelo contexto secular. Ela não aparece na bíblia, dizendo que seu chefe é servo de Deus em sua igreja. Como também não aparece na caminhada de 20 Séculos de vocação pastoral. A palavra Líder vem do inglês LEADER (que se pronuncia como no português: “líder”); logo não poderia estar na Bíblia, sendo de criação recente que expõe na realidade, uma imagem de um executivo, empresário e de um profissional do mundo dos negócios. Nunca foi usada e nem descreve nenhum santo ou mártir, que se dedicou integralmente a Cristo. Nunca foi Pastor do Salmo 23, nem tão pouco, das tarefas Sacerdotais de Arão no templo.

Saliento que no livro de (Hb 13:17),o texto diz” Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”. O texto foi alterado pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), que é responsável pela produção de Bíblia no Brasil. No entanto ela fez alteração no texto e tem publicado versões do Novo Testamento na Linguagem de Hoje (NTLH), afirmando que essa mudança na troca da expressão “pastor” pelo o “líder” é para uma compreensão mais popular, onde o povo possa entender com maior facilidade. Isso é inadmissível tendo em vista que no fechamento do cânon da Bíblia, não se coloca palavra e nem tão pouco se retira.

A palavra pastor vem de uma tradição desde Gênesis a Apocalipse até nos dias atuais. Os pais da igreja já se preocupavam com esses problemas tão antigos que influenciou a caminhada da Igreja Cristã Primitiva. Os copistas associados à tradição ortodoxa muito frequentemente alteravam os textos, às vezes, para eliminar a possibilidade de serem mal usados por cristãos que afirmavam crenças heréticas, outras, para torná-los mais adequados às doutrinas esposadas pelos cristãos de seu próprio grupo. Vale ressaltar que outra mudança, que vem ocorrendo na vocação pastoral é a introdução da figura do terapeuta, que tem ganhado espaço desde a segunda metade do século XX, na verdade Freud a introduziu no final do século XIX. Thomas Old, em seu livro (Pastoral Care And the Old Traditions), ele apresenta um quadro comparativo sobre a influência da Psicologia na formação pastoral. Apresenta dez clássicos da teologia pastoral do século XIX e dez clássicos da teologia pastoral do século XX observa-se que os clássicos do século XIX contêm mais de 300 citações dos pais da igreja, enquanto os do século XX apresentam centenas de citações dos modernos psicoterapeutas e nenhuma dos pais da igreja. No entanto, os clássicos do século XIX não poderiam apresentar muitas citações dos modernos psicoterapeutas, pois na verdade não existiam na época, mas sua comparação serve para demonstrar como a teologia pastora do século XX sofreu uma mudança radical, sendo fortemente influenciada pela psicologia moderna. O verdadeiro perigo dos textos serem modificados, a bel-prazer, por copistas que não aprovassem seu encadeamento também é evidente por outros meios. Temos de lembrar sempre que os copistas dos primeiros escritos cristãos reproduziam seus textos em um mundo no qual não havia gráficas ou editoras, como também não havia a lei de proteção aos direitos autorais. “No livro de Apocalipse, o autor profere uma exortação ameaçadora: Eu atesto a todo o que ouvir as profecias deste livro: “Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro”. E se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro dessa profecia, Deus lhe retirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, descritas neste livro “(Ap.22: 18-19)”. De forma que, para ser um Pastor, em primeiro lugar deve-se descobrir se a pessoa tem vocação “pastoral” ou vocação de ser “líder” com o seu significado secular do mercado globalizado.

Outrossim, é essencial recordar que a escolha divina é critério decisivo (cf. Jo 15,16) e o serviço de animação vocacional deve dispor de um método pedagógico que seja capaz de traduzir isso numa prática efetiva. O discernimento vocacional inclui também a coragem de ajudar as pessoas a tomarem outra direção, a fazer outra opção quando ficar claro que falta sinais evidentes de um determinado tipo de vocação específica (cf. Mc 5,18-20). Do contrário corre-se o risco de favorecer os carreiristas e egoístas e fazer a comunidade pagar um preço amargo. Além de tudo, deve-se colocar a habilidade e o bom senso no uso e na escolha da verdadeira vocação, não esquecendo que, como resultado dos preceitos bíblicos e teológicos, o chamamento pastoral é divino e muito mais profundo que os modelos profissionais, ou tendências secularizadas. Então, bom é que toda orientação venha somente de Deus, conforme sua revelação em Jesus Cristo. Seu filho.

É fundamental advertir que ao convocar e vocacionar os dozes apóstolos, Cristo delegou a seus discípulos poderes e, em nenhum momento chamou-o de líderes. Nenhum pastor autêntico escolhe o pastorado. O ministro da Palavra não é um voluntário precipitado, mas um comissionado, alguém que recebe uma ordem superior, que lhe domina o coração, que dirige as circunstâncias externas e que o orienta de forma absoluta ao serviço cristão em tempo integral. Deus não aprova profetas autodesignados (Jr 23:21).

Que na luta e arrependimento, possamos seguir o exemplo de Jonas, onde “reconhece que Deus é misericordioso, foi a Nínive, pregou a mensagem de salvação e todos creram” (Jonas 3: 4-5). O nosso chamado primário foi para sermos pastores, para cuidar do bem maior – A VIDA. Logo, que esta máxima passagem, abra caminhos para o nosso reencontro com que há de mais belo e verdadeiro no chamado que recebemos de Deus: A vocação pastoral. Que Deus na sua infinita misericórdia continue nos abençoando. Amém!


Bibliografia:

BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paullus – São Paulo – SP- ano 2002.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL – Editora CPAD – Rio de Janeiro – RJ, Ano 1998.

Bíblia Sagrada: Edição Revista e Corrigida – Sociedade Bíblica do Brasil – Brasília – DF.  Ano 1969.

A sombra da Planta Imprevisível. Uma Investigação da Santidade Vocacional. Autor: H. Peterson, EUGENE. Editora – UNITED PRESS LTDA. Site: www.unitedpress.com p. 5, 6, 7, 8, 11, 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20.

Dicionário Teológico – Autor: Corrêa de Andrade, CLAUDIANOR. Editora CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro – RJ – Brasil. P. 234.

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