segunda-feira, 21 de março de 2011


IHAWEH, O DEUS QUE CRIOU O MUNDO A PARTIR DO NADA.

O título sugere que tudo quanto existe foi chamado à vida num determinado ponto da eternidade e, o verbo "criar", literalmente falando, significa chamar algo à existência a partir do 'Ex-nihilo' -- do 'Nada'. A palavra "criar" quer dizer fazer do nada; Sem nenhum material preexistente, isto é nenhuma substância física existia e tudo veio a existir. (Ne 9.6); (Cl 1.16-17); (He 11.3). O vocábulo BARAH (criar) é reservado a Deus em vista de sua ação criadora, Ele criou o mundo do nada, trouxe o mundo a partir do Ex-Nihilo. O imperativo da potente palavra divina chamando o mundo a existência a partir do nada. (Gn 1:1-7). “Deus criou todas as coisas”, no v.7, Ele organiza sua obra.

Deus, criador de todas as coisas, usa o verbo Asah (fazer) para revelar sua primazia. Pegou a terra e fez o primeiro ser homem, Adam (Adão). Este vem do solo (argila, pó, terra vermelha) para representar a humanidade. Tornar-se-á o nome próprio do primeiro Ser Humano (ishi), homem – Adão, que é criado por Deus e têm sua principal missão refletir-lhe a glória e a majestade. O homem passou a ser, então, a obra prima das mãos de Deus. Ser racional composto de corpo, alma e espírito (1.Ts 5.23), feito um pouco menor que os anjos, coroado de glória e majestade(Hb 2.6-7). Como sendo a mais notável das criaturas de Deus, através do seu Ruah (sopro, hálito), comunica-se com o seu criador e por intermédio do corpo exprime-se para fora de si, sua compulsão para o saber parece não ter limites. Ele é o único que emana totalmente do criador. Feito a sua imagem e semelhança. Criou o homem para a sua glória; Isso fica bem claro em Gênesis 1.26-28. A intenção era que o homem e sua esposa tivessem filhos e os criassem com toda santidade obedecendo ao Senhor. Enfim, um ser considerado como a existência da criação de Deus.

Com o homem, a obra criadora de Deus atinge seu grandioso clímax. O Criador foi pródigo na concepção e na execução deste Seu último ato criador. (Se alguém tem dúvidas, bastaria lembrar-se do caminho que Deus percorreu para tornar possível restaurar o homem caído levando-o de novo à sua perfeição criada no início). Necessário é que se chame a atenção para o fato da narrativa de Deus que cria o Ser do nada: “Deus... lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2.7). Encontramos ainda os fundamentos bíblicos e teológicos que expõe antes da existência do mundo e de qualquer microorganismo, galáxias, planetas, estrelas, átomos ou partículas atômicas, havia o ‘nada’ - o vácuo existencial. “Ora a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo e um sopro de Deus agitava a superfície das águas” (op.cit.1-2). Dessa forma, existia o nada - tudo aquilo que se opõe ao ser, ou seja, o nada é o não ser. 

Para o filósofo alemão Heidegger ‘o nada’ revela-se pela angústia, porém sua expressão em teologia jamais se descortinou em aflição ou sofrimento, pelo contrário serve para mostrar o divino poder de Deus em criar o ser do nada. Em outras palavras: criar o Ex-nihilo. Contudo, nem o vácuo existencial pode ser assombrado pelo pesadelo do fato de existir e do que existe realmente, assumindo o status dos fenômenos reais, pois é eternamente estéril. O vazio existencial não é criativo porque não existe. Só a existência divina pode gerar existência. De maneira que, a palavra de Deus foi mais que suficiente para do ‘nada’ trazer a existência a tudo quanto existe, de forma que a não existência jamais poderia ser despertada do sono da irrealidade, porque não existia de fato e vivia o pesadelo eterno da realidade. Se eliminarmos Deus do processo criativo, eliminamos a própria existência, retornamos ao vácuo completo, imergimos na esterilidade tirânica do ‘nada’.

O ‘nada’ não pode engravidar a existência, só a existência pode gerar a existência. Daí, fundamental é lembrarmo-nos que Deus não é uma hipótese da fé, mas uma verdade científica efetiva (Ec 9.10). Também, como bem referencia Davi no livro de Salmos: “Teus são os céus e tua é a terra: o mundo e a plenitude, tu os fundaste” (loc.cit. 89.11). Consoante, no evangelho de João, percebemos que o ‘Verbo’ é a palavra, Jesus Cristo é o ‘logos’, a palavra mais do que expressão falada... É Deus em ação (n.b. 1.2-3). Mas como explicar o princípio de Deus? Conforme a Bíblia, Deus não tem origem. Ele é o único que não teve início, nunca nasceu. Deus não teve princípio de dias, nem terá fim de existência. Entretanto, existem testemunhos eternos e exteriores da natureza a respeito de todos os argumentos a favor do fato do princípio e da existência de Deus. Ouve-se a voz destas testemunhas em todas as línguas e em todos os lugares. Para Moisés, Ele se auto-proclamou de modo inexplicável apresentou-se não pelo o verbo ser, e sim por EU SOU! Que Deus na sua infinita misericórdia continue nos abençoando. Amém!


Algumas abreviaturas usadas no texto:
Op.cit= opus citatum (obra citada)
n.b.=nota bene ( note bem)
Loc.cit.= loco citato (no lugar citado).


























sábado, 19 de março de 2011

Soteriologia
Definição: Soteriologia é a união entre dois termos gregos "Soteria" que significa Salvação e "Logia" que significa Estudo. Portanto Soteriologia é o Estudo da Salvação, um braço direito da teologia, que trata da doutrina da salvação do homem em nome de Cristo Jesus.

Soteriologia Social.

No entanto aqui trata-se da soteriologia social, que foi desenvolvida por João Wesley.A soteriologia Social de Wesley, tem uma grande preocupação com o ser vivente, não só na busca da Salvação social mas também na Salvação Eterna. Sendo que esse pensamento mostra reflexões teológicas na tradução Wesleyana. Ele produziu uma teologia voltada para a vida. Sua preocupação estava voltada para a miséria, do seu pais tanto no contexto social como também no espiritual.  No entanto, a igreja Anglicana não estava resolvendo o problema das pessoas que tanto sofria com o descaso, vivido na sua época. Wesley trabalha por mudanças na estrutura social com renovação eclesial buscando uma transformação social de seu país.

João Wesley viveu em seu pais no século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava fracassando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração ética e moral. Dentre aqueles que não se conformavam com esse estado paralisante da religião cristã, João Wesley, sobressaiu de maneira exemplar.

Portanto, fica esclarecido que para Wesley os pobres, os aprisionados, escravos, sem educação, todo este sistema de alienação social, levou a compreender que a religião tinha que ser comunitária, trabalhando em busca do bem comum. A vida. A soteriologia social no contexto de hoje deve refletir compromissos missionários na defesa da vida, da água, da ecologia, em busca de uma vida social de igualdade para todos e uma intimidade com o Criador. As igrejas Cristãs Evangélicas Brasileiras devem fazer ações públicas, debates, a respeito da preservação dos rios, da limpeza das suas nascentes e do combate a poluição de detritos os esgotos nas suas margens, matando a vida ali existente, tudo isso é para que possamos ter uma vida melhor. No entanto, vale ressaltar que a soteriologia social de João Wesley ver a salvação como integralização mais completa e compreensiva sistematizadora da vida humana. Para se alcançar a salvação, segundo ele é necessário ter um corpo sadio em um ambiente edificante, tanto socialmente, como também no campo espiritual. Com esse relacionamento o nosso espírito fica renovado pela Graça de Deus, em Cristo Jesus.
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Finalmente o metodismo teve sua origem nas ruas, nas praças, nas minas de carvão, indústrias e, nas causas sociais inglesas daquele século, são caminhos a ser seguido pelas igrejas cristãs evangélicas brasileiras, no envolvimento mais social na vida da sociedade e da comunidade. As igrejas precisam ter ações mais fortes e efetivas para honrar esse bem que Deus nos concedeu através de Cristo Jesus e de João Wesley, com uma soteriologia social para a vida. A historia de vida de Wesley, desde a adolescência em casa com as suas experiências pietistas, a vivência na sua juventude com visão na perfeição cristã, posteriormente na prática das conduções moravianas, tudo isto colaborou para o desenvolvimento de uma soteriologia que tivesse a proposta de envolver a pessoa nos atos da Salvação Eterna.  Portanto, se as igrejas evangélicas brasileiras seguirem, essa metodologia social e espiritual, vamos ter um mundo bem melhor, sempre com os olhos voltados para a vida e a Salvação Eterna em Cristo Jesus. As maiorias das igrejas evangélicas brasileiras carecem ser mais pastorais, do que profissional, que visa somente o lucro, o capital, esquecendo do bem maior a vida, que foi resgatada na cruz do calvário. Que Deus na sua infinita misericórdia continue nos abençoando. Amém.





Jesus, o modelo de pastor

Adalberto Alves de Souza: Evangelista, Teólogo Graduado Pela Universidade Metodista do Estado de São Paulo – SP.  Filosofo Licenciado Pelo Centro Universitário Claretiano Porto Velho – RO.

TEXTO BIBLICO:
(MT. 9: 35 36 e 37). “E, vendo a multidão, teve grande compaixão deles, porque andavam desgarrados e errantes, como ovelhas que não tem pastor”.

Quais atitudes e qual postura o pastor deve assumir diante de suas ovelhas? Como ser pastor na atualidade? O pastor deve reagir a essas tendências do sistema atual adequando-se ao dia-a-dia, às mudanças sem com isso perder a fé no Deus-Pastor. Diante da crise causada pelas mudanças do mundo moderno, as pessoas se tornaram mais secularizadas e individualistas, o que tem causado o distanciamento de Deus. O pastor deve ter Jesus como modelo de ação pastoral, na cura das pessoas, nas visitas, dando conforto e esperança, mostrando o caminho da fé, cultivando uma vida de oração para o fortalecimento do enfrentamento aos embates do cotidiano. Ele deve ensinar a igreja o caminho da Misericórdia e do Amor. O chamado pastoral diante do mundo moderno onde a vocação pastoral está perdendo seu espaço para um novo fenômeno em moda o "Líder" e o "Terapeuta", que vem sufocando a ação e a vocação pastoral em pleno século XXI. Um outro assunto que abordarei na próxima oportunidade.


Betesda tinha tudo para ser perfeita, a casa da cura, a começar pelo nome. Naquela época o símbolo da religião judaica estava ali: a porta das ovelhas, os cinco pórticos, a piscina com água havia até anjos do Senhor, mas faltava algo. Nos dias atuais, também se vive essa realidade. Os símbolos, marcos e sinais da religião cristã protestante se fazem presente na prática de vida. Mega templos, obras faraônicas, lugar sacralizado, datas especiais, liturgias apropriadas, templos com ar condicionado, anúncio de milagres e até o anjo do Senhor! As pessoas vão, mas a cura não acontece. Como em Betesda, falta algo. Falta a centralização na pessoa de Jesus Cristo como motivação de nossos gestos e atitudes na prática do viver diário; em suma, falta a misericórdia.

Jesus coloca os pobres, cegos, aleijados, presos, oprimidos, os de coração ferido como prioridade de seu ministério (Lc 4.18,19; 7.22) os pecadores vêem nele um "Amigo" (Lc 7.34) com quem tem uma convivência intensa (Lc 5.27-30; 15.1-31; 19.7). Jesus o bom pastor, se identifica com a dor e tem misericórdia para com as multidões (Mt 9.36; 14; 15.32), ele também se identifica com a viúva que perdera o único filho: "Vendo-a o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: não chores!" Jesus mostra bondade. Através de suas atitudes Jesus revela o rosto da misericórdia divina, urna igreja que não pratica a misericórdia divina, que Jesus praticou, será uma igreja incapaz de promover cura, alívio, restauração, mesmo que tenha grandes estruturas, perfeita organização, liturgia, projetos, profetas, anjos, etc. Sem misericórdia e amor, não há saúde na igreja.
A cura de almas é uma decisão de trabalhar no âmago das coisas, onde somos mais nós mesmos e onde nossos relacionamentos em fé e intimidade são desenvolvidos. A linguagem principal no ministério da cura é uma linguagem bem pessoal de amor e oração. A tarefa pastoral é vocacional, onde o pastor está lidando com pessoas que precisam de ajuda é uma conversa espontânea que se ouve com o coração: gritos, exclamações, convicções e apreciações, palavras faladas pelo coração e confissões.

As curas de fato não estão ocorrendo hoje dentro das igrejas, porque a maioria de nossos pastores esqueceu as palavras de Jesus: "Em verdades, vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores farão, porque eu vou para junto do Pai: tudo quanto pedires em meu nome, isso farei a fim de que o Pai seja glorificado no filho". Esta promessa não foi suspensa em nenhum momento. No início da igreja do Novo Testamento, este poder foi entregue não apenas aos apóstolos, que em breve iriam passar, mas também aos presbíteros. As pessoas podiam ser curadas em qualquer igreja em que os presbíteros orassem com fé e dessem a unção com óleo em nome de Jesus, nunca foi mudado. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre.

O centurião disse "somente uma palavra e meu servo será curado". O povo também pode pedir para o grande Pastor que o cure. O poder da fé cura o servo do centurião, ouvindo estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: "afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta". O centurião era um homem de grande poder, apesar disso, quando seu servo adoeceu, ele procurou ajuda do grande médico: "diz somente uma palavra e o meu servo será curado". A Palavra de Deus promete cura e milagres divinos. Quando Deus tirou o seu povo do Egito através de Moisés, o salmista disse que a campanha de saúde de Deus para o povo de Israel foi tão bem sucedida que "fez sair o seu povo, com prata e ouro, e entre as tribos não havia um só invalido”.Que Deus na sua infinita misericórdia continue nos abençoando. Amém!


Jesus, o modelo de pastor
Quais atitudes e qual postura o pastor deve assumir diante de suas ovelhas? Como ser pastor na atualidade? O pastor deve reagir a essas tendências do sistema atual adequando-se ao dia-a-dia, às mudanças sem com isso perder a fé no Deus-Pastor. Diante da crise causada pelas mudanças do mundo moderno, as pessoas se tornaram mais secularizadas e individualistas, o que tem causado o distanciamento de Deus. O pastor deve ter Jesus como modelo de ação pastoral, na cura das pessoas, nas visitas, dando conforto e esperança, mostrando o caminho da fé, cultivando uma vida de oração para o fortalecimento do enfrentamento aos embates do cotidiano. Ele deve ensinar a igreja o caminho da Misericórdia e do Amor. O chamado pastoral diante do mundo moderno onde a vocação pastoral está perdendo seu espaço para um novo fenômeno em moda o "Líder" e o "Terapeuta", que vem sufocando a ação pastoral em pleno século XXI.

Betesda tinha tudo para ser perfeita, a casa da cura, a começar pelo nome. Naquela época o símbolo da religião judaica estava ali: a porta das ovelhas, os cinco pórticos, a piscina com água havia até anjos do Senhor, mas faltava algo. Nos dias atuais, também se vive essa realidade. Os símbolos, marcos e sinais da religião cristã protestante se fazem presente na prática de vida. Mega templos, obras faraônicas, lugar sacralizado, datas especiais, liturgias apropriadas, templos com ar condicionado, anúncio de milagres e até o anjo do Senhor! As pessoas vão, mas a cura não acontece. Como em Betesda, falta algo. Falta a centralização na pessoa de Jesus Cristo como motivação de nossos gestos e atitudes na prática do viver diário; em suma, falta a misericórdia.

Jesus coloca os pobres, cegos, aleijados, presos, oprimidos, os de coração ferido como prioridade de seu ministério (Lc 4.18,19; 7.22) os pecadores vêem nele um "Amigo" (Lc 7.34) com quem tem uma convivência intensa (Lc 5.27-30; 15.1-31; 19.7). Jesus o bom pastor, se identifica com a dor e tem misericórdia para com as multidões (Mt 9.36; 14; 15.32), ele também se identifica com a viúva que perdera o único filho: "Vendo-a o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: não chores!" Jesus mostra bondade. Através de suas atitudes Jesus revela o rosto da misericórdia divina, urna igreja que não pratica a misericórdia divina, que Jesus praticou, será uma igreja incapaz de promover cura, alívio, restauração, mesmo que tenha grandes estruturas, perfeita organização, liturgia, projetos, profetas, anjos, etc. Sem misericórdia e amor, não há saúde na igreja. A cura de almas é uma decisão de trabalhar no âmago das coisas, onde somos mais nós mesmos e onde nossos relacionamentos em fé e intimidade são desenvolvidos. A linguagem principal no ministério da cura é uma linguagem bem pessoal de amor e oração. A tarefa pastoral é vocacional, onde o pastor está lidando com pessoas que precisam de ajuda é uma conversa espontânea que se ouve com o coração: gritos, exclamações, convicções e apreciações, palavras faladas pelo coração e confissões.
 
As curas de fato não estão ocorrendo hoje dentro das igrejas, porque a maioria de nossos pastores esqueceram as palavras de Jesus: "Em verdades, vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai: tudo quanto pedires em meu nome, isso farei a fim de que o Pai seja glorificado no filho". Esta promessa não foi suspensa em nenhum momento. No início da igreja do Novo Testamento, este poder foi entregue não apenas aos apóstolos, que em breve iriam passar, mas também aos presbíteros. As pessoas podiam ser curadas em qualquer igreja em que os presbíteros orassem com fé e dessem a unção com óleo em nome de Jesus, nunca foi mudado. Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre.

O centurião disse "somente uma palavra e meu servo será curado". O povo também pode pedir para o grande pastor que o cure. O poder da fé cura o servo do centurião, ouvindo estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: "afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta". O centurião era um homem de grande poder, apesar disso, quando seu servo adoeceu, ele procurou ajuda do grande médico: "diz somente uma palavra e o meu servo será curado". A Palavra de Deus promete cura e milagres divinos. Quando Deus tirou o seu povo do Egito através de Moisés, o salmista disse que a campanha de saúde de Deus para o povo de Israel foi tão bem sucedida que "fez sair o seu povo, com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia um só invalido”. Que Deus na sua infinita misericórdia, continue nos abençoando. Amém!


“LÍDER” OU “PASTOR”, PROFISSIONAL DOS NEGOCIOS OU PASTOR DO SÉCULO XXI?

Adalberto Alves de Souza: Evangelista, Teólogo Pela Universidade Metodista do Estado de São Paulo – SP - Filosofo Licenciado Pelo Centro Universitário Claretiano – Porto Velho – RO. Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior Pela FAP – Faculdade de Pimenta Bueno – RO.

Texto Bíblico: “Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa”. (Jo. 10: 11 – 12).

Atualmente vivemos dias confusos em que o profissionalismo vem tomando o lugar da vocação pastoral. Os líderes estão mais preocupados com crescimentos e números instrumentos em tecnologia, construções de megatemplos e menos na glória de Deus em Cristo Jesus. No entanto, por tudo que presenciamos nos dias atuais, as ovelhas precisam cada vez é de Jesus. Clamam por pastores que tenham tempo disponível, vocação e compaixão para ouvir o clamor de suas vidas cansadas, aflitas em busca de orientação, cuidados, transformação e maturidade. Logo, a igreja precisa de pastores aprovados por Deus na condução do rebanho que lhe foi confiado.

Entretanto, as mudanças que vêm acontecendo, se desdobrando e, por vezes, não percebidas por muitos, tem afetado assustadoramente, de certa forma, não só os pastores, assim como, também, a Igreja. Ressalte-se que o Ministério Pastoral deve ser equipado e fortalecido com fundamentos bíblicos, teológicos e experiências de vida com Deus. Necessário se faz expressar que de um lado, o sentido empregado nos termos “pastoral” e ”Sacerdote” são corretos teológica e biblicamente, tanto no Antigo Testamento (AT) como no Novo Testamento (NT). O Novo Testamento dirá que as atribuições do Pastor é orar, ocupar-se com a Escritura e capacitar filhos de Deus para que estes sirvam ao Senhor e cresçam em maturidade e vivência mútua (At 6:4; Ef 4:11-16).

Por outro lado, a denominação líder tem sua definição mais acentuada no mercado do mundo globalizado e pelo contexto secular. Ela não aparece na bíblia, dizendo que seu chefe é servo de Deus em sua igreja. Como também não aparece na caminhada de 20 Séculos de vocação pastoral. A palavra Líder vem do inglês LEADER (que se pronuncia como no português: “líder”); logo não poderia estar na Bíblia, sendo de criação recente que expõe na realidade, uma imagem de um executivo, empresário e de um profissional do mundo dos negócios. Nunca foi usada e nem descreve nenhum santo ou mártir, que se dedicou integralmente a Cristo. Nunca foi Pastor do Salmo 23, nem tão pouco, das tarefas Sacerdotais de Arão no templo.

Saliento que no livro de (Hb 13:17),o texto diz” Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”. O texto foi alterado pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), que é responsável pela produção de Bíblia no Brasil. No entanto ela fez alteração no texto e tem publicado versões do Novo Testamento na Linguagem de Hoje (NTLH), afirmando que essa mudança na troca da expressão “pastor” pelo o “líder” é para uma compreensão mais popular, onde o povo possa entender com maior facilidade. Isso é inadmissível tendo em vista que no fechamento do cânon da Bíblia, não se coloca palavra e nem tão pouco se retira.

A palavra pastor vem de uma tradição desde Gênesis a Apocalipse até nos dias atuais. Os pais da igreja já se preocupavam com esses problemas tão antigos que influenciou a caminhada da Igreja Cristã Primitiva. Os copistas associados à tradição ortodoxa muito frequentemente alteravam os textos, às vezes, para eliminar a possibilidade de serem mal usados por cristãos que afirmavam crenças heréticas, outras, para torná-los mais adequados às doutrinas esposadas pelos cristãos de seu próprio grupo. Vale ressaltar que outra mudança, que vem ocorrendo na vocação pastoral é a introdução da figura do terapeuta, que tem ganhado espaço desde a segunda metade do século XX, na verdade Freud a introduziu no final do século XIX. Thomas Old, em seu livro (Pastoral Care And the Old Traditions), ele apresenta um quadro comparativo sobre a influência da Psicologia na formação pastoral. Apresenta dez clássicos da teologia pastoral do século XIX e dez clássicos da teologia pastoral do século XX observa-se que os clássicos do século XIX contêm mais de 300 citações dos pais da igreja, enquanto os do século XX apresentam centenas de citações dos modernos psicoterapeutas e nenhuma dos pais da igreja. No entanto, os clássicos do século XIX não poderiam apresentar muitas citações dos modernos psicoterapeutas, pois na verdade não existiam na época, mas sua comparação serve para demonstrar como a teologia pastora do século XX sofreu uma mudança radical, sendo fortemente influenciada pela psicologia moderna. O verdadeiro perigo dos textos serem modificados, a bel-prazer, por copistas que não aprovassem seu encadeamento também é evidente por outros meios. Temos de lembrar sempre que os copistas dos primeiros escritos cristãos reproduziam seus textos em um mundo no qual não havia gráficas ou editoras, como também não havia a lei de proteção aos direitos autorais. “No livro de Apocalipse, o autor profere uma exortação ameaçadora: Eu atesto a todo o que ouvir as profecias deste livro: “Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro”. E se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro dessa profecia, Deus lhe retirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, descritas neste livro “(Ap.22: 18-19)”. De forma que, para ser um Pastor, em primeiro lugar deve-se descobrir se a pessoa tem vocação “pastoral” ou vocação de ser “líder” com o seu significado secular do mercado globalizado.

Outrossim, é essencial recordar que a escolha divina é critério decisivo (cf. Jo 15,16) e o serviço de animação vocacional deve dispor de um método pedagógico que seja capaz de traduzir isso numa prática efetiva. O discernimento vocacional inclui também a coragem de ajudar as pessoas a tomarem outra direção, a fazer outra opção quando ficar claro que falta sinais evidentes de um determinado tipo de vocação específica (cf. Mc 5,18-20). Do contrário corre-se o risco de favorecer os carreiristas e egoístas e fazer a comunidade pagar um preço amargo. Além de tudo, deve-se colocar a habilidade e o bom senso no uso e na escolha da verdadeira vocação, não esquecendo que, como resultado dos preceitos bíblicos e teológicos, o chamamento pastoral é divino e muito mais profundo que os modelos profissionais, ou tendências secularizadas. Então, bom é que toda orientação venha somente de Deus, conforme sua revelação em Jesus Cristo. Seu filho.

É fundamental advertir que ao convocar e vocacionar os dozes apóstolos, Cristo delegou a seus discípulos poderes e, em nenhum momento chamou-o de líderes. Nenhum pastor autêntico escolhe o pastorado. O ministro da Palavra não é um voluntário precipitado, mas um comissionado, alguém que recebe uma ordem superior, que lhe domina o coração, que dirige as circunstâncias externas e que o orienta de forma absoluta ao serviço cristão em tempo integral. Deus não aprova profetas autodesignados (Jr 23:21).

Que na luta e arrependimento, possamos seguir o exemplo de Jonas, onde “reconhece que Deus é misericordioso, foi a Nínive, pregou a mensagem de salvação e todos creram” (Jonas 3: 4-5). O nosso chamado primário foi para sermos pastores, para cuidar do bem maior – A VIDA. Logo, que esta máxima passagem, abra caminhos para o nosso reencontro com que há de mais belo e verdadeiro no chamado que recebemos de Deus: A vocação pastoral. Que Deus na sua infinita misericórdia continue nos abençoando. Amém!


Bibliografia:

BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paullus – São Paulo – SP- ano 2002.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL – Editora CPAD – Rio de Janeiro – RJ, Ano 1998.

Bíblia Sagrada: Edição Revista e Corrigida – Sociedade Bíblica do Brasil – Brasília – DF.  Ano 1969.

A sombra da Planta Imprevisível. Uma Investigação da Santidade Vocacional. Autor: H. Peterson, EUGENE. Editora – UNITED PRESS LTDA. Site: www.unitedpress.com p. 5, 6, 7, 8, 11, 12, 13, 14, 15, 18, 19 e 20.

Dicionário Teológico – Autor: Corrêa de Andrade, CLAUDIANOR. Editora CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Rio de Janeiro – RJ – Brasil. P. 234.