GLOBALIZAÇÃO E O IMPACTO SOBRE A FÉ.
Adalberto Alves de Souza: Evangelista, Teólogo Pela Universidade Metodista de São Paulo - SP – Filosofo Pelo Centro Universitário Claretiano de Porto Velho – RO. Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior Pela (FAP) Faculdade de Pimenta Bueno – RO.
Globalização de ontem e de hoje, está sempre presente no nosso dia a dia, no entanto essa expressão é de certa forma bem antiga e está atrelada em duas palavras, na atualidade. “As raízes no alvorecer da cultura da razão e da palavra e a outra que faz devoradora da explosão da tecnologia da comunicação”.
A globalização é um processo econômico, parceiro do capitalismo, que visa à expansão dos mercados internacionais e da relação entre os países. É caracterizado, por um grande avanço tecnológico principalmente nas áreas de telemática e informática, o que propicia maior velocidade na difusão de informações e na comunicação.É também caracterizada por eliminar fronteiras, tanto comerciais, quanto culturais,e por isso, é assunto de controvérsias. A globalização é um fenômeno capitalista e complexo que começou na época dos “Descobrimentos” e que se desenvolveu a partir da Revolução Industrial. Mas o seu conteúdo passou despercebido por muito tempo, e hoje muitos economistas analisam a globalização como resultado do Pós Segunda Guerra Mundial, ou como resultado da Revolução Tecnológica. Sua origem pode ser traçada do período mercantilista iniciado aproximadamente no século XV e durando até o século XVIII, com a queda dos custos de transporte marítimo, e aumento da complexidade das relações políticas européias durante o período. Este período viu grande aumento no fluxo de força de trabalho entre os países e continentes, particularmente nas novas colônias européias.
O Pe. J. B. Líbanio é um grande teólogo no cenário do mundo teológico que se utiliza do avanço da globalização para introduzir e discernir, de certo modo nesse contexto que ele tem muita experiência e conhece toda a sua historiografia: a fé. Pe. Líbanio tem larga experiência sobre o assunto e permeia com muita facilidade na compreensão do processo de globalização, dos resultados e conseqüências do campo da fé, ontem e hoje. O contexto da fé, segundo Libanio, é bem antigo, que os seus desdobramentos antecedem em muito a experiência do cristianismo, como também: ao budismo e aos procedimentos filosóficos gregos.
Entretanto, ele se reporta para as culturas do oriente médio e do ocidente que Libânio procura os registros dos argumentos que ele usa para seguir uma luz na trilha na linha histórica da fé. O desenvolvimento e a experiência espiritual do ser humano estavam no dia a dia daquelas culturas, tanto no contexto do oriente através das práticas públicas e também dos ensinamentos de Confúcio, Lao-tsé ou Buda, e também na realidade do mundo grego, por meio dos filosóficos como: Parmênides, Heráclito e Platão.
Em sua opinião, naquele tempo era de práxis e bem conhecida a realidade da globalização da mente que produzia atos de fé e era transportada por todo o oriente, os testemunhos da abrangência da crença dentro de um contexto e fé espiritual. No entanto, Seguindo uma histórica do tempo e da fé, Pe. Libânio aponta abrangência do o universalismo da Palavra de Deus, que começava a brotar e passa dar os primeiros passos no médio-oriente. Ele se reporta para os profetas israelenses como: Elias, Isaías e Jeremias, como mensageiro de expansão da fé no único grande Deus (IHAWEH), em quem Israel deposita sua fé. Entretanto, os povos eram alcançados com a mensagem da Palavra de IHAWEH. Nesta caminhada que norteia desde o verotestamentário (VT), até o novo testamento (NT), Libânio comenta acerca do cristianismo que vai crescendo e estendendo seus pilares da globalização e da fé em Cristo Jesus, anunciando o seu nascimento, sua morte e a ressurreição por meio das conquistas do Império Romano por onde passava.
Portanto, o impacto da globalização sobre a fé cristã, já vem desde os tempos antigos, já era percebido nos tempos do Império Romano. Neste contexto a mensagem de Salvação em Cristo Jesus estava conquistando a vida das pessoas e os testemunhos da nova vida que a fé em Cristo Jesus ia gerando no mundo de sua época. A conquista foi muito grande que no transcorrer dos séculos posteriores, a fé promoveu e trouxe impactos maravilhosos e com resultados de grande valia, tanto no contexto social e espiritual, como também nas bem-aventuranças sobre as nações que iam acreditando e vivenciando a confiança em Cristo Jesus. A mensagem da cruz e a fé cristã estavam totalmente globalizadas e os povos foram sendo alcançados, através da palavra de Deus, como instrumentalização de conquista missionária e de um poder sobrenatural da fé. Todo esse resultando, por exemplo: no contexto de grandes conquistadores como, Portugal e Espanha quando iam conquistando novas terras “descobertas” por suas caravelas. Eles, os “vencedores”, introduziam de goela abaixo uma fé cristã com o uso de violência, porque entendiam, que estavam evangelizando e fazendo o bem para os povos “conquistados”. Dessa forma o novo mundo estava globalizado e cada vez mais cristianizado, fosse pelo o poder das armas, ou outro tipo de instrumentalização de conquista
Portanto, no contexto do mundo capitalista e globalizado, Pe. Libânio faz afirmações acerca da caminhada da fé, que continua conquistando espaço, no campo da cibernética, quântica, ótica, da enternética e do mundo secularizado, que de certa forma tem tentado sufocar o sagrado. A fé cristã está contextualizada em todos os seguimentos da sociedade moderna, alcançando vidas e aquecendo corações humanos, em busca de uma vida melhor. Entretanto, falar de “Globalização e o impacto sobre a fé”, algo inevitável conforme as palavras de Rubem Amorese em Icabode: “da mente de Cristo à consciência moderna”. São Paulo, Abba Press, 1994. “Icabode” é um convite a uma reflexão sobre a modernidade e seus desdobramentos sobre a fé e a missão da igreja. É a grande tarefa que a igreja de Cristo terá que enfrentar, uma vez que a modernidade é uma ameaça à natureza e ao significado da própria igreja. O grande desafio que a igreja tem pela frente é o de conseguir preservar o propósito original da aliança de Deus com o seu povo e o de continuar sendo a autêntica igreja de Cristo.
No continente Europeu, que foi o berço do cristianismo e na América do Norte, a modernidade tornou-se uma força devastadora do cristianismo. Todas as tentativas colocadas em prática com o propósito de atingir a igreja de Cristo nestes dois mil anos, tanto por parte dos imperadores que perseguiram a igreja, bem como diversas correntes heréticas que se levantaram na idade média, não conseguiram atingi-la tão acintosamente como a modernidade. Por vivermos dias de crescimento da igreja de Cristo no Brasil, não podemos deixar de estarmos vigilantes quanto ao que acontece em torno de nós e em todas as direções. A Bíblia nos diz que: “Há caminho, que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte” (Prov. 16:25). Jesus, afirmou que: “por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará” (Mat. 24:12). E em outro texto, Ele diz: “...Quando porem vir o Filho do homem, porventura achará fé na terra” (Luc. 18:8).
Todas estas colocações parecem estar relacionadas em muito com o advento da modernidade de nossos dias, que traz em seu bojo uma infinidade de propostas que acabam por envolver os mais descuidados, os mais ingênuos, que se tornam presa fácil, por não terem discernimento suficiente para perceber que os valores culturais e religiosos, estão sendo sutilmente influenciados e transformados pela modernidade, e o que é ainda pior, tudo sendo absorvido sem nenhuma resistência. A secularização, o individualismo e a pluralização, são algumas destas novas realidades que tem afetado as relações humanas e religiosas. Nessa abordagem, o autor trata da modernidade com muita propriedade dando grande contribuição para a igreja de Cristo no começo do século XXI. É uma palavra profética porque encontra respaldo ao ser julgada à luz das Escrituras. É uma análise da realidade do mundo, da sociedade e da igreja, da qual todos nós somos participantes.
O autor nos exorta a refletir sobre tudo aquilo que parece ser simples e que na maioria das vezes não notamos por estarmos pessoalmente envolvidos, mas que na verdade só perceberemos, só rejeitaremos, e só mudaremos se estivermos pautando a nossa vida à luz do conhecimento da Palavra de Deus. Deste modo, “Icabode” descreve o fenômeno da modernidade, com o propósito de chamar à atenção da igreja para a compreensão e o discernimento de ações e reações que serão necessárias para a grande caminhada que teremos pela frente até chegarmos em definitivo a Canaã. Portanto, devemos estar conscientes da liberdade que Cristo nos outorgou, dizendo com a autoridade e a convicção do apóstolo São Paulo, ao escrever a Igreja em Corintos dizendo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”. (I Cor. 6:12).
Referência Bibliográfica:
AMORESE, Rubem, Icabode: Da mente de Cristo à consciência moderna. São Paulo, Abba Press, 1994.
A. da Silva Moreira, org., Sociedade global: cultura e religião, Petrópolis, Vozes, 1998.
A.P. Oro e C. A. Steil, Globalização e religião, Petrópolis, Vozes, 1997.
Bíblia de Jerusalém: Nova Edição, Revista e Ampliada. Editora Paulus – 2002 São Paulo – SP, Brasil.